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Vamos lá: pesquisa em animais…

O texto abaixo foi escrito por Aydamari Faria Jr., professor da Universidade Federal Fluminense – UFF. Originalmente o material foi disponibilizado em um post do facebook e gerou uma discussão fantástica.  O conteúdo e a forma do material são ambos impressionantes e envolventes e decidi divulgá-lo um pouco mais. Com a devida autorização, ei-lo aqui.

Rato e tubos de ensaioVamos lá: pesquisa em animais…

O começo é simples: TUDO que vc consome foi ou é testado em animais. Direta ou indiretamente. Corantes, aromatizantes, medicamentos, pigmentos de roupas, métodos cirúrgicos…

…até o famigerado rato da coca-cola deve ter sido testado em animais antes. Sei lá, em gatos…

O primeiro passo: negação. “Não é bem assim…”, dirão alguns. Foi mal, é assim. “Sorry, brô.”

Segundo passo: julgamento. “Mas isso é errado! É um absurdo!”. É. Tamo junto! Mas também é errado furar fila, ficar com troco indevido, dar propina para agilizar processos, fazer gato net, fazer gato de luz, fazer gambiarra na água do vizinho e mais toda a sorte de cagadas, digo, “adaptações indevidas”, que nós, HUMANOS, fazemos.

Terceiro passo: argumentação. “Nossa, mas você está misturando coisas COMPLETAMENTE diferentes”. Não, tô não. Conhece a frase “farinha pouca, meu pirão primeiro”? É EXATAMENTE ISSO. A frase, aliás, foi inventada e usada por humanos – nunca vi uma vaca usando, então me dê um crédito! Captou a mensagem? Não? Ok, versão for dummies: entre o seu processo e o de outro péla saco, vc prefere que o seu seja apreciado antes. E burla o sistema para que isso aconteça. Entre outro péla estacionar o carro na vaga que VC viu e acha que é SUA, adivinha o que VC faz? Acelera, dá cavalo de pau, infarta três senhoras, dá a dois tiozinhos a diarréia de uma vida, pára numa vaga de idoso ou numa vaga de deficiente e acha que tá ok “pq é rapidinho”.

Vc se acha importante. Vc se acha MAIS importante do que TODOS os outros humanos. Calcule o que vc não acha, lá no fundo, sobre os animais (ou não humanos)…

Então… Introducão feita no nível individual, eleve isso ao coletivo… Calcule o que “OZUMANO” não fariam, como espécie, para seguir “neste planetóide escroto”, como diria o Lobo (referência nerd obrigatória. Fique uma rodada sem jogar, se não entendeu).

Olha que “louco”: para ficar por aqui, seríamos capazes até de extinguir outras espécies! [Keanu Reeves voice mode ON] WOW!! [voice OFF]. Sim, percebeu que já fazemos isso, né? Somos particularmente bem sucedidos em extermínios, inclusive entre membros da nossa própria espécie. E se vc lembrar das aulas de história, vai lembrar que a lógica ideal para fazer isso era deixá-los diferentes de nós, a cada momento: judeus, negros, homossexuais – todos sendo vistos como “impuros, bobos, chatos, feios e caras de mamão”. Tá, um pouco (BEM) mais agressivo, mas vc pegou o conceito.

Animais SÃO diferentes. Nem precisa tentar fazê-los parecer diferentes… Então, usando os exemplos toscos já dados, se a vaga do portador de necessidades especiais é sua “rapidinho”, o que implica a vida da vaca, rato, camundongo (e afins) para salvar A SUA VIDA? Na boa, pra salvar a sua vida vc vende a sua mãe, entrega a sogra do padeiro e fura o olho do seu suposto melhor amigo. Vários exemplos de pessoas que fazem isso por 5 reais, calcule pela própria “vida”. Sim, nosso primeira ação é pensar que somos superiores a essas pessoas e que elas não merecem vivem. Soa familiar? Procure no google: Hitler.

Ok, hipocrisia fora da mesa. E agora?

Agora chegam, noutro capítulo da novela, os argumentos técnicos-científicos que amparam o fato de utilizamos, pq somos incríveis humanos, outros seres vivos para seguirmos por aqui. Mas antes disso faça algo diferente.

PensePENSE.

Isso. PENSAR. Pode parecer louco, mas entre uma orelha e outra tem um cérebro. Use-o SEM parcimônia.

…DEPOIS disso vc manifesta a sua opinião.

Pq só depois de pensar um pouco nas relevâncias culturais – e antropocêntricas – que nos regem como “espécie dominante” no planeta, é que vai ser possível entender o tema “animais como modelo de pesquisa” de uma forma mais global, menos hipócrita e, talvez, pensar num novo modelo PESSOAL que um dia venha a influenciar o COLETIVO.

Aguarde o próximo capítulo – o técnico – da novela.

Abç ou beijo segundo o par de cromossomos.

Leia a continuação: Pesquisa em animais parte 2, a revanche e  Animais, humanos e o bicho que deu – terceiro (e último?)

Leia também Pesquisa com animais, sim ou não?

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