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Pesquisa em animais parte 2, a revanche

O texto abaixo foi escrito por Aydamari Faria Jr., professor da Universidade Federal Fluminense – UFF. Originalmente o material foi disponibilizado em um post do facebook e gerou uma discussão fantástica.  O conteúdo e a forma do material são ambos impressionantes e envolventes e decidi divulgá-lo um pouco mais. Com a devida autorização, ei-lo aqui.

Essa é a parte 2, você pode lê-la de forma independente, mas acho melhor começar pelo texto inicial: Vamos lá: pesquisa em animais…

Pesquisa em animais parte 2, a revanche.
…depois de considerar os aspectos culturais não específicos, bora brincar com algumas especificidades do tema.

Primeiro, vamos brincar com as premissas dos ecochatos e dos cientistas super-cools.

ecochatoEcochato version:
1) “(mimimi)….é um absurdo usar estes animais para pesquisa, torturando-os, fazendo-os sofrer, colando dentes! São vidas! Cientistas são todos cruéis, desalmados, filhos da $#*@, *@/$/!, vão pro !@&$*!£€£¥!₩”

Algumas destas pessoas vão comemorar os resgates com churrasco no fim de semana…

Comentário 1:
“_então você acha que todos os defensores dos animais têm que ser vegetarianos???”.
R: Não, eu só acho que os defensores não vegetarianos acreditam que a carne apareça por geração espontânea na prateleira do mercado, ou que o Mxyztplk coloque-as por lá, antes que alguém o faça falar seu nome ao contrário.

No nosso ATUAL modelo de produção de (carne), não apenas pela demanda da matéria, mas pela demanda de LUCRO ESTRATOSFÉRICO, a indústria de (processamento de produtos animais) CAUSA maus tratos (aos animais). Direto e indiretamente.

*oa parênteses serão esclarecidos adiante.

Comentário 2:
“_então você acha que os defensores vegetarianos são/estão mais certos?”
R: Não. Salvo engano, conheci poucos ecochatos que não matassem mosquitos, baratas, lacraias, aranhas e demais fauna invertebrada – ou até vertebrada, desde que viscosa (cobra, rã-sapo-perereca). Boa parte, quando não mata, não o faz por frouxidão retro-furicular e não por ideologia.

Se os animais devem ser ninja-bizarramente respeitados endeusados e glorificados (ó pai, amém), não faz muito sentido estabelecer castas… Mas quem precisa de sentido e coerência no mundo, né não?

Tá ficando complicado. Eu sei. Vai piorar.

Cientista coolCientistas super-cool version:
“Todos os animais são bem tratados, respeitados e os níveis de sofrimento são os mínimos. Só usamos animais quando absolutamente necessário e respeitamos sempre seu bem estar.”

Nope. É quase a mesma coisa que ouvir um político ANTES da campanha… Metade é diarréia verbal e a outra é “só” mentira.

…quem já esteve ou trabalhou com pesquisa com experimentação animal sabe que os níveis de respeito variam MUITO de laboratório para laboratório e de pessoa para pessoa. Ratos e camundongos sendo mortos com éter, por exemplo, são parte comum de MUITOS laboratórios por aí. Tem técnicas bem piores. Acreditem.

Aliás, muitos labs – MUITOS – que não têm janela. Nem exaustão. Então tem muita coisa errada, muito antes de chegar na experimentação animal… Por exemplo, pesquisadores que lidam com 5 a 10 vezes a quantidade de carcinógenos e/ou radiação recomendada, além das instalações físicas bizarras. Não, não é por escolha ou burrice. É por não ter outra alternativa: PRODUTIVIDADE ou OSTRACISMO.

Percebeu o problema? Não? Eu ajudo. Vou copiar o trecho ali de cima:

No nosso ATUAL modelo de produção de (“ciência”), não apenas pela demanda da matéria, mas pela demanda de LUCRO ESTRATOSFÉRICO, a indústria de (artigos) CAUSA maus tratos (aos alunos e cientistas). Direta e indiretamente.

Perceberam os parênteses? Deu pra entender? Eu “desenho”, por via das dúvidas:

É o MODELO social, econômico e cultural que tá BEM corrompido. Pelo que tudo indica, vamos PROIBIR a experimentação com modelos animais por conta dos desdobramentos deste caso e ABSOLUTAMENTE NADA vai mudar para os animais. Simplesmente pq o modelo CULTURAL segue o mesmo… Retrocesso para pesquisa, morte de milhares de ratos e camundongos e porcos e cães que estão em centros de pesquisa neste momento por um fenômeno MIDIÁTICO sem reflexões maiores.

Comentário 3:
“então qual é o modelo que você sugere, “biduzão”?
R: Menor idéia, meu caro péla!! Mas tô tentando sugerir uma reflexão para vermos a merda que estamos fazendo. Estamos “errando feio, errando rude…”, já há um tempo…

Pense…e por hora é só. Bora pensar mais um cadin! xD

Em tempo: há defensores de animais, vegetarianos ou não, que não entram entre os ecochatos. Há pesquisadores/cientistas que devotam o MAIOR respeito aos animais que usam em suas pesquisas e não entram entre os super-cools.

Em tempo (2): Nenhum animal foi ferido durante a produção deste texto. Só mosquitos, talvez. Mas foi sem querer, ele estava embaixo da minha perna e eu só vi a mancha de sangue depois… (não, não foi [só] outra piadinha sem graça. Foi outro convite para reflexão: sabe quantas formigas vc mata por dia, sem nem saber?)

“…so long and thanks for all the fish!”

Leia a primeira parte deste texto Vamos lá: pesquisa em animais… e a continuação Animais, humanos e o bicho que deu – terceiro (e último?)

Leia também Pesquisa com animais, sim ou não?

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