ciência, Conhecimento, democracia, discriminação, divulgação, divulgação cientifica, movimentos sociais, pesquisa, política

De quem é a ciência?

Autor: Phillipe Linhares[i]

Quero comentar uma frase aparentemente despretensiosa que vi no meu Facebook outro dia (original na imagem abaixo). Confesso que a atual conjuntura e meu cansaço não me permitiram naquele momento fazer mais do que entender aquela frase como um meme, soltar muitas risadas no mural da pessoa que a tinha escrito e fazê-la uma piada com alguns amigos, no entanto…

No entanto quero poder dar uma nova oportunidade pra mim mesmo e tentar rever aquela frase com o máximo de seriedade com que posso refletir e tentar avaliar o que pode ser retirado dessa mensagem, ainda que talvez seja mais referente a conteúdos de fora do que necessariamente algum conhecimento da própria mensagem.

Eu não vou me furtar a comentar a polarização política exprimida nesse comentário que diz mais sobre pra qual time alguém torce do que quanto e como esta pessoa se preocupa com alguns problemas que nem sempre vão ter resolução aparente. Essa questão acima aparece na segunda sentença e sozinha já poderia ilustrar o governo atual, mas não vou retirá-la do contexto (apesar de ser perfeita e gramaticalmente possível que isso seja feito) e ela não é o foco desse texto.

O foco desse texto é sobre a frase – e a ideia que a fundamenta – que o governo de uma ou outra pessoa faria uma descoberta científica. Pra começar é importante comentar que o governo investiu menos de 1,3% do PIB em desenvolvimento da ciência através de pesquisas em 2017 (segundo o relatório mais recente disponível [ii]). Isso faz com que não seja Bolsonaro o vilão da história (ao menos nesse caso ele  só acompanhou – e deu uma mãozinha – ao corte à ciência). 

Não vou analisar o porquê e os contextos para o início do corte, mas o fato que temos é que agora estamos colhendo o plantio dessa colheita maldita (com o perdão do trocadilho com o filme de terror, que a bem da verdade dá menos medo que a nossa vida real) e já com esse atual cenário digno de Stephen King não adianta mais incitar a população contra qualquer “demônio” que nossa história possa nos mostrar. O factual é que devemos tomar alguma atitude em relação a isso. Mas o que fazer?

A pandemia dá uma característica singular – a cereja do bolo, como se diz no popular – e ela traz à tona o que de pior poderia se ver com relação aos cortes. As desigualdades que estruturam nossas relações sociais estão completamente nuas e somos forçados a relembrar desde a promulgação da lei 8080/1990 (lei que consolida o SUS mas que também deixa clara a posição que nossos pais, avós ou alguns de vocês tinham sobre o fenômeno) que um vírus pode não fazer mais distinções do que genes, células e moléculas, mas que a doença, essa sim, é um fenômeno social assim como a saúde. 

Estão mais expostas as trabalhadoras que tem que sustentar o lar sozinhas na ocupação da sobrevivência. As pessoas, em sua “esmagada” maioria negras que vivem em condições precárias de oferta de assistência a saúde, condições básicas de higiene e garantia de acesso a serviços básicos[iii] (importante usar esmagada e não esmagadora já que é constituinte desse cenário a frase de que “as ‘minorias’ têm que se curvar à maioria”[iv] – atente aqui pro uso da palavra curvar). Tudo isso explicita que gênero, raça e classe ainda são determinantes e condicionantes em saúde – e portanto indicadores de que o Brasil é um país doente – e o tratamento seriam políticas econômicas e sociais que garantiriam equidade à população.

Outra coisa a ser considerada é o desequilíbrio trabalhista desse cenário em que pessoas devem fazer jornadas duplas, triplas e algumas vezes quádruplas de trabalho onde são pesquisadoras-professoras (condição indissociável no Brasil), trabalham informalmente em prol de uma renda extra e ainda cuidam dos espaços familiares – não vou refletir sobre o fato de professores terem de ser pesquisadores mas deixo aqui registrado o questionamento do porquê pesquisadores tem de ser necessariamente professores dentro do sistema público. Isso aliado ao fato de que não conseguimos consolidar políticas públicas em esfera federal que sejam regularmente respeitadas faz com que o Brasil seja um país instável à educação, tendo flutuações relativas a esse ou aquele governo.

Por último, o ambiente e a prática científica, longe de um purismo que já fora anteriormente defendido, guarda uma certa distância do que infelizmente hoje nós vemos e nomeamos como partidarismo. Veja bem, a ciência que é estudada hoje tem uma característica diferente da maior parte daquela que todo o estudante de início de graduação vê com os gregos clássicos. Ela é ativa, não contemplativa. Ela visa resolver problemas cotidianos e não refletir sobre o sentido deles no cosmos. Isso tudo faz com que ela se distancie de uma política da morte e da exploração que se vê hoje no Brasil e que alguns autores nomeiam como necropolítica. No entanto ela não se distancia da concepção clássica da política como o agir com relação ao outro e nesse campo se faz importante convocar todos para reocupar esse espaço e tomá-lo de volta para que possamos utilizar a ciência de forma ética para resolver desigualdades e promover direitos humanos, assim como tinha sido proposto na lei de 1990. A ciência é feita por pessoas e deve ser feita para pessoas.


[i] Phillipe Linhares é psicólogo de formação. Trabalhador da saúde mental no município do Rio de Janeiro, acredita que toda a saúde só pode ser pública. Atua como divulgador de saúde e práticas de cuidado em grupo com a iniciativa Hashtag Psi. https://linktr.ee/hashtagpsi

[ii] https://www.mctic.gov.br/mctic/opencms/indicadores/detalhe/recursos_aplicados/RecursosAplicados-CeT.html, em 04/05/2020;

[iii] https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/11/coronavirus-e-mais-letal-entre-negros-no-brasil-apontam-dados-do-ministerio-da-saude.ghtml, em 04/05/2020;

[iv] https://youtu.be/BCkEwP8TeZY,  em 04/05/2020.

Padrão
artigo científico, ciência, Conhecimento, educação, metodologia da pesquisa, pesquisa, research, research methodology, universidade

Interessado em escrever artigo científico como se o inglês fosse sua língua materna? Leia o texto “Writing scientific articles like a native English speaker: top ten tips for Portuguese speakers” de Mariel A. Marlow. No texto a autora elenca os 10 erros mais comuns que falantes de português cometem ao escrever um texto em inglês.

Acesse o texto clicando aqui!

Link
análise do comportamento, artigo científico, behaviorismo, ciência, Conhecimento, divulgação, divulgação cientifica, pesquisa, psicologia, saúde, universidade

Vídeos de Análise do Comportamento

LINKS PARA VÍDEOS

Sistema Personalizado de Ensino

Visão geral (entrevista com Todorov): https://www.youtube.com/watch?v=PKe_b1LsU4k

 

Behaviorismo

Visão geral (vídeo com Martha Hubner) – dividido em 9 partes:

(Parte 1) https://www.youtube.com/watch?v=0NDK0OmDJ7Q

(Parte 2) https://www.youtube.com/watch?v=Ch0RjRflZ_k

(Parte 3) https://www.youtube.com/watch?v=xMV5Vfq_PQM

(Parte 4) https://www.youtube.com/watch?v=9_X2BZ5dt5Q

(Parte 5) https://www.youtube.com/watch?v=Nq4nSAar-zU

(Parte 6) https://www.youtube.com/watch?v=vFVNsXsXpb8

(Parte 7) https://www.youtube.com/watch?v=MsKYhpBl5io

(Parte 8)  https://www.youtube.com/watch?v=VdRii3-VeNY

(Parte 9) https://www.youtube.com/watch?v=g4_YlQ0NRpc

Em episódio da comédia The Big Bang Theory: https://arleycosta.wordpress.com/2014/11/04/the-big-bang-theory-e-o-behaviorismo/

 

Comportamento e condicionamento respondente

Visão geral: https://www.youtube.com/watch?v=n5dfmEu-y8A

Condicionamento do medo – Experimento Little Albert: https://www.youtube.com/watch?v=g4gmwQ0vw0A&list=PL9A215EC6E7591509&index=2

 

Comportamento e condicionamento operante

Visão geral: https://www.youtube.com/watch?v=aIdckgIwbg8

Contingência: https://www.youtube.com/watch?v=goOkEROVG1w

 

Reforço positivo

(Exemplos): https://www.youtube.com/watch?v=ruZMph7nefU

 

Reforço negativo

(Diferenciando de punição): https://www.facebook.com/video.php?v=712620685485924

Esquemas de reforçamento

Visão geral: https://www.youtube.com/watch?v=N_uc-fzpxvk

 

Extinção

Extinção e dessensibilização (Ex com supernanny): https://www.youtube.com/watch?v=HAClIrU7R4w&list=PLvpLnxNtMEZMqhylZq-QSixorgMgElEai&index=5

Máquina de ensinar

Palestra de Skinner sobre a máquina de ensinar: https://www.youtube.com/watch?v=vmRmBgKQq20&list=PL9A215EC6E7591509&index=13

 

Comportamento Verbal

Visão geral: https://www.youtube.com/watch?v=ZiYhTbCiCaQ

Operantes verbais primários: https://www.youtube.com/watch?v=GjLZMWHTQ6o

Operantes verbais secundários: https://www.youtube.com/watch?v=We_z7n3g93c

Autoclíticos: https://www.youtube.com/watch?v=1BZqDAa-Czg

 

Saúde – Aplicações da Análise do Comportamento

Autismo e AC no Princeton Institute (Parte 1): https://www.youtube.com/watch?v=JNh0JmVv1WM&list=PLvpLnxNtMEZMqhylZq-QSixorgMgElEai&index=8

Caso você tenha visto um vídeo interessante sobre a Análise do Comportamento, informe o link nos comentários (abaixo) para que possamos disponibilizá-lo nessa página.

Se algum link dessa página estiver com problemas, informe também através dos comentários.

Obrigado!

Padrão
ciência, Conhecimento, divulgação, divulgação cientifica, educação, Entrelinhas, metodologia da pesquisa, pesquisa, research, research methodology, universidade

Previsões para a copa

A copa 2014 começou e algumas grandes seleções, aquelas que todos previam avançar bem na competição, começaram a cair ainda na fase de grupos. Itália, Inglaterra e Espanha, a badaladíssima campeã de 2010, são alguns dos grandes nomes que já voltaram para casa. Por outro lado, seleções de países das Américas, que muitos anteviam em uma existência de meros coadjuvantes, como Chile e Costa Rica, ganharam passagem, alguns dirão sobrevida, para a fase do mata-mata. Muitos ficaram atônitos com os resultados ocorridos e começaram a buscar argumentos para explicar porque as coisas se desenrolaram com esse enredo considerado atípico ou anormal.

Explicações diversas começaram a surgir. Alguns questionam o fato dos jogos ocorrerem em um ambiente considerado inóspito para os jogadores europeus acostumados a climas temperados. O calor escaldante e a umidade excessiva de algumas cidades que sediaram jogos, como Manaus e Cuiabá, estão entre os argumentos utilizados. De fato, tem sido curioso ver jogadores, que parecem impávidos aos 90 minutos de uma partida de futebol na Liga dos Campeões da UEFA, derreterem aos borbotões já no início das partidas da Copa 2014. Alguém lembra de ter visto esses grandes jogadores, ao participar das ligas europeias, ensopados de suor e com os cabelos desgrenhados, como nas partidas disputadas no Brasil? Cristiano Ronaldo, um exímio jogador que é quase um produto de marketing em campo por seu porte, postura e estética, esteve irreconhecível tanto quanto jogador como quanto modelo. Outros culpam a estrutura escolhida pela FIFA para definir as seleções cabeça de chave, o que fez com que alguns grandes se encontrassem já na primeira fase, que o digam os três campeões mundiais reunidos no chamado grupo da morte, dois dos quais já estão em casa vendo a copa pela televisão.

Há, ainda, os que alegam que a copa já está vendida ao Brasil e que tudo não passa de uma tática de ir eliminando alguns dos grandes nomes o mais rapidamente possível, deixando um caminho suave à seleção anfitriã. Afirmam, para mostrar isso, que nas oitavas o Brasil pega o Chile, nas quartas de final Colômbia ou Uruguai e que apenas nas semifinais, talvez, o Brasil encontre algum adversário de peso ou tradição. Poderia fazer uma fantástica semifinal contra a França que vem dizimando os adversários e… nos deve uma final que lhes foi entregue, também em casa, na última copa do século XX. Mas talvez isso tudo seja especulação, e o Brasil encontre com a Argentina, numa final que muitos desejam e… sem resultados pré-definidos!

Deixando os argumentos de lado, é preciso reconhecer que as previsões ruíram ou, melhor dizendo, viraram pó sob os acontecimentos dos jogos da primeira fase. Por que tantos equívocos na interpretação dos resultados? Por que erramos tanto ao apostar nos bolões? Por que o susto, quando as coisas não aconteceram da forma como prevíramos?

Previsão é ciência. Todo campo cientifico busca compreender, prever e controlar seu objeto de estudo. Em outras palavras, a ciência visa descrever padrões e explicar processos que permitam prever a ocorrência de fenômenos sob determinadas condições. Portanto, é necessário identificar os fatores, ou variáveis, que podem ser importantes na compreensão e previsão de um evento. Bancos e empresas que atuam em bolsas de valores, por exemplo, montaram suas previsões entrando com as variáveis que consideraram relevantes, como qualidade atual da seleção, história do desempenho em copas do mundo, apoio dos fãs, posição no ranking da FIFA ou a economia do país. Os apostadores ou palpiteiros comuns usamos, em geral, uma compreensão mais generalizada sobre os últimos resultados de que temos conhecimento, bem como o peso das seleções, aquelas que ganham títulos, chegam as finais ou semifinais e as que sempre vão bem ou apresentam futebol vistoso. Sejamos nós ou as grandes empresas com seus programas e computadores, a copa não está encaixando em nossas previsões, seria isso suficiente para que alguém se arvore em alegar a ruína da ciência?

Avaliações, mesmo as científicas, consideram os resultados passados, os papéis de cada seleção no futebol mundial e, a partir de tudo isso, apresenta-se o resultado mais provável, o que pode estar certo ou… não! Como? Depois de tudo isso, ainda é possível que a ciência erre? Claro, o sucesso passado não assegura o sucesso futuro, apenas indica a probabilidade dessa ocorrência. Há variáveis relevantes que podem ficar de fora da análise, é possível que existam informações ou variáveis sobre as quais não haja domínio completo e há, também, uma outra discussão que remete ao meio científico: o imponderável. A indeterminação advinda daquele acontecimento absolutamente fortuito sob o qual não há qualquer possibilidade de controle.

A forma de analisar esse imponderável varia segundo a forma de se compreender ciência. Os mecanicistas-deterministas afirmam que o que chamamos de imponderável é a falta de conhecimento absoluto de todas as variáveis envolvidas no processo. Portanto, caso todas as variáveis sejam plenamente conhecidas, a sequência de eventos até o seu final seria absolutamente prevista como em um filme. De outro lado, há o princípio da incerteza ou princípio da desigualdade de Heisenberg, segundo o qual há uma aleatoriedade intrínseca ao comportamento de certos fenômenos e, portanto, alguns resultados não possuem um único resultado, como no filme do determinismo, mas um conjunto de resultados, todos possíveis, embora com diferentes probabilidades de ocorrência.

O imponderável é o milagre estatístico, a incerteza que não nos deixa afirmar o resultado de alguns processos com 100% de certeza e que pode fazer com que uma seleção sem tradição consiga ganhar jogos e, de repente, tornar-se campeã. Assim, na vida como na copa, caso consideremos o indeterminismo derivado do princípio da incerteza, é preciso ficar atento ao imponderável, aquele evento que pode produzir alterações significativas e sobre as quais não há controle. Podemos fazer todos os cálculos possíveis, mas um chute daqueles denominado pombo sem asa, um gol contra, um jogador que escorrega, um segundo de dúvida no artilheiro ou no goleiro, uma interpretação errada do árbitro, o papel da torcida (olha a vantagem de jogar em casa!)… e o resultado pode ser completamente avesso às previsões de bolões e apostas. O imponderável e o indeterminismo existem, mas não tornam a ciência menos adequada, ao contrário, tornam-na ainda mais necessária e… bela!

Publicado originalmente no jornal Tribuna Amapaense, Nº 415, 28 de junho de 2014.

Outros textos de Arley Costa podem ser lidos em https://arleycosta.wordpress.com/entrelinhas/

Padrão
artigo científico, Conhecimento, epistemologia, metodologia da pesquisa, pesquisa, research, research methodology

O que é o Método Científico? É pra comer?

Organograma sobre o método científico

Texto de Marcelo Mazocco publicado neste post com a devida autorização.

Senhores, sentindo um pouco de ausência de conhecimento científico de algumas pessoas nessa tal de internetz, resolvi escrever esse pequeno (juro que a intenção era boa, de ser pequeno mesmo, mas é resumido anyways) manual sobre a importância da base científica na sua argumentação.

Àqueles cujas almas podem ser salvas da ignorância (porque tem uns, que vou te contar…), como diria o Chapolin, sigam-me os bons:

O que é o Método Científico? É pra comer?

Bom, pra começar nossa viagem (inveje-me, Sagan), iremos à Europa da Idade Média. Muita coisa estava mudando, uma quantidade considerável de conhecimento emergia de mentes brilhantes. Descartes, Newton, Kepler, Galilei.

Mas não havia, ainda, uma separação clara, uma demarcação objetiva, do que poderia ser alvo de estudo científico. Newton era alquimista. Kepler tentava provar a inteligência de Deus através das órbitas dos planetas comparando-as a sólidos platônicos. Ainda haviam, misturados, estudos a respeito de almas, fluidos vitais e tudo mais o que se possa imaginar. Qualquer ideia aleatória podia ser igualmente válida.

Foi precisamente nessa época que detectaram uma grande necessidade de separar categoricamente aquilo passível de estudo do que não dava pra ser estudado. Eis que surge o MÉTODO CIENTÍFICO (importante notar que isso não tem nem 400 anos).

Basicamente, tudo que não podia ser testado, tudo que era fundamentado em crenças e opiniões pessoais e tudo que não era sustentado por evidências teve de ser igualmente deixado de lado ao objetivo de estudo.

Então, surgiram diretrizes, pilares do pensamento científico. São elas:

– Princípio da Falseabilidade. Hipóteses científicas devem ser sempre TESTÁVEIS com o objetivo de prová-las falsas (falseá-las). Um único teste é o suficiente pra reprovar toda uma teoria científica e hipóteses só se tornam teorias após aprovações em diversos testes. Segundo Karl Popper, a ciência é um exercício contínuo de refutação. Cada experimento e observação pretende contradizer a teoria aceita. É daí que surge o famoso Problema da demarcação.

– Problema da Demarcação. Dado que ciência só estuda o que pode ser falseado, ela NÃO SE PROPÕE A ESTUDAR O SOBRENATURAL.

– Princípio da generalidade e simplicidade. Também conhecido como Navalha de Occam, ela diz: “se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor” (William de Ockham).

Agora que você já sabe o que o método científico faz e em que buraco não enfiá-lo, irei lhe contar o sensacional segredo de como ele funciona: MÁGICA!

Não, pera! Você vai precisar de (momento canal de culinária):

– Uma observação. Sistemática e controlada, de modo a evitar contaminação experimental por qualquer que seja o fator.
– Uma hipótese! Pois é! Uma possível explicação ao fenômeno observado.
– Previsões. A hipótese precisa prever o que acontecerá a seguir. Momento de suspense!
– Um teste controlado e reprodutível. Assim outros cientistas podem verificar os resultados.

Caso a hipótese seja aprovada em diversos desses testes, por cientistas independentes (o que chamamos de revisão por pares), ela pode finalmente ascender ao status de teoria.

Não, teorias não são “apenas” teorias. Elas são explicações que em alguns casos sobreviveram a MILHARES de testes. As vezes são a última palavra em conhecimento científico, dado que esse conhecimento SEMPRE deverá estar aberto a testes.

TEORIA CIENTÍFICA, CORROBORA-SE OU É CONTRADITA, POR FATOS CIENTÍFICOS. JAMAIS SE PROVA UMA TEORIA CIENTÍFICA.

Obviamente, ainda existem fronteiras no conhecimento científico. A curiosidade científica é movida por elas, inclusive. Algumas pessoas, geralmente movidas por suas crenças, costumam explorar essas fronteiras de modo a validar tais crenças com explicações “científicas” cuja ciência jamais se propôs a dar, como vimos por todos os motivos acima. Minha forte recomendação, que um dia ainda vai te fazer muito rico, é que adote a postura científica mais adequada: “Não sabemos. Portanto, nada podemos dizer a partir daqui, por enquanto”.

Mas se quer a resposta definitiva para a vida, o universo e tudo mais, ela já foi fornecida à humanidade:

42.

Para ler (coisa leve. Se quiser ir mais a fundo, tem uma vastidão do espaço virtual acessível através do Google te esperando):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciência
http://pt.wikipedia.org/wiki/Método_científico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_da_demarcação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Navalha_de_Occam
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sólido_platónico
http://www.wfsj.org/course/pt/pdf/mod_5.pdf

Por Marcelo Mazocco.

Leia também:  Metodologia de pesquisaComo escrever um artigo para uma revista científica

Padrão