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Behaviorismo: rir ou levar a sério?

“Considero minha história com a Análise do Comportamento algo, no mínimo, engraçado. Ao entrar no curso de psicologia na Federal do Espírito Santo, eu estava ávido para conhecer, para entender aquilo que até então eu chamara de “psique humana”. No primeiro período – na disciplina de introdução às teorias psicológicas – tive, assim como todo estudante de graduação, o primeiro contato com as psicologias. Naturalmente umas foram exaltadas, outras transformadas em piada. Dentre as escolas que nos faziam rir, de tão ridículas, e estarrecer, de tão absurdas, reinava o Behaviorismo. Skinner, Watson e Pavlov eram praticamente a mesma pessoa. Na época, meu senso crítico era quase inexistente, e tal como dizia Schopenhauer em 1830, “sim, não existe ideia, por mais absurda que seja, que as pessoas não tomem como suas com tanta facilidade e tão logo se convençam de que tal coisa é adotada de maneira geral”, e lá estava eu no meio. Sem precedentes, adotei uma postura anti-behaviorista. No entanto, o que me intrigava era como uma teoria tão simplista, burra e antiética ainda permanecia viva. Pobre pequeno Albert! Desafiei-me a ser um crítico dos behavioristas. Fui à biblioteca da universidade, peguei alguns livros do Skinner e comecei a lê-los com cuidado e estudo minucioso, a fim de criticar o movimento propriamente. Eis a grande ironia da minha vida profissional: o tiro saiu pela culatra. Ao me aprofundar na leitura, tornei-me o behaviorista mais chato da turma. Ao ler o Skinner, percebi uma incongruência entre o que eu ouvia em sala de aula e o que lia em casa. Ao final do segundo período eu já tinha lido todos os livros do Skinner e do Fred Keller disponíveis na biblioteca”.

O trecho acima provém de uma entrevista concedida por Tiago Zortea ao Comporte-se. O interessante na fala de Zortea é que não relata um caso único, mas recorrente entre alunos de Psicologia que posteriormente vieram a decidir-se pela Análise do Comportamento. Aparentemente, em muitas instituições, o Behaviorismo tem sido ensinado aos alunos de Psicologia como uma escola sobre a qual se deve rir e não para se levar a sério. Eis algo sobre o qual devemos refletir!

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